Tão Longe Tão Perto


24/7
02/07/2016, 0:09
Filed under: Nova Iorque

 

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Sexta à noite, a cidade ferve. Segunda não foi diferente. Ebulição 24/7. A Time Out tem uns 300 eventos gratuitos ao meu redor. Outros 2.000 se desembolsar uns dólares, só aqui no Brooklyn. Shows, peças, bares, restaurantes, telescópios para ver as estrelas, meditação, yoga, feiras, cultos religiosos, nada escapa da megaprodução na terra do entretenimento.

Às vésperas do Dia da Independência, me esforço para me libertar da FoMO – Fear of Missing Out. Pavor de, no nanosegundo do piscar, perder o ritmo da cidade que não dorme. Deve existir um grupo de apoio estilo AA para essa doença contemporânea das grandes cidades. Uma colega confessou que, às vezes, anuncia aos amigos que vai em três lugares ao mesmo tempo para despistar, mas fica quietinha no escuro do seu quarto.

Em meus 4 finais de semana, foram 5 shows inesquecíveis, 3 parques indescritíveis, 2 desfiles performáticos, temperos de 5 continentes e 4 amigos brasileiros que passaram por aqui de férias. No trabalho, o inglês carregado de 15 sotaques, relatórios de 14 países, despedida com bollywood, apresentação de 12 projetos. No espelho do elevador, ajeita-se o sári, o terno, o vestido, o qípáo. Para voltar para a segunda casa da minha temporada, aprendi 4 novas rotas, experimentei 5 linhas de metrô, atropelei 15 mil pessoas fingindo estar mais apressada que todas e fui expulsa do ônibus na Primeira Avenida, desatenta para o tíquete que devia ter impresso na parada. Divagação é crime inafiançável em Nova Iorque, mas o inspetor foi simpático. Me livrou da multa, mas não do mico de ser a única desavisada do pedaço.

Ainda não tive coragem de fazer a lista do que não posso perder. Hoje só quero ser barata morta, amanhã volto a ser barata tonta.

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