Tão Longe Tão Perto


Vou na janelinha
20/06/2009, 18:27
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As olheiras são bem evidentes. Com o fim das provas, todo mundo está abatido e querendo usar as últimas forças pra beber até apagar tudo o que havia memorizado pros exames. O clima estressante invadiu todos os espaços. Biblioteca lotada, gente levando até travesseiro pra garantir o lugar de estudo e aquela energia pesada espalhando-se pelo carpete na mesma velocidade em que os ácaros se multiplicam. Na residência estudantil, ansiedade total: gente arrancando os cabelos das sobrancelhas, tendinites, dores de estômago, insônia, falta de ar e uma sensação de estar na iminência de ser atropelado por um ônibus de dois andares.

Não é novidade que a eficácia das provas como método de avaliação vem sendo questionada por educadores de todos os cantos. Mas em nome da tradição e como uma forma de evitar o plágio, uma das mais conceituadas escolas de ciências sociais britânicas continua apostando que pressão = qualidade.

Acordando do pesadelo, a tensão vai sendo substituída pela nostalgia das despedidas e por uma certa pressa de planejar o que ninguém sabe ao certo como vai ser. Pego o ônibus e procuro lugar lá no segundo andar, na janelinha da frente, pra tentar enxergar além do dia de hoje. Enquanto isso, sobem as vendas das pints nos pubs londrinos.