Tão Longe Tão Perto


O misterioso desaparecimento de Henry

henryDez entre dez famílias inglesas contam com a ajuda de Henry para a limpeza de seus carpetes, que costumam cobrir não só o chão, mas também as paredes, muitas vezes até nos banheiros. Sorridente como Wilson – a bola de vôlei do filme O Náufrago – Henry é campeão de vendas desde o seu lançamento em 1980. Reconhecido por sua resistência, eficácia e economia, Henry é equipamento indispensável também nas escolas, hospitais e… no meu alojamento estudantil.

A gerência da moradia disponibiliza três aspiradores vermelhinhos para os 630 estudantes. No dia da faxina (cuja freqüência varia de acordo com a tolerância de cada um, o que, cá pra nós, costuma ser bem flexível), a gente vai até a recepção, entrega a carteirinha de estudante em troca do Henry número 1, 2 ou 3. Finalizada a limpeza, voltamos lá embaixo pra entregar o aspirador e pegar a carteirinha de volta.

Como tenho rinite alérgica desde pequena, Henry é meu companheiro constante na luta contra os ácaros. Nesta semana, ele me ajudou a limpar também o quarto de um colega que viajou e gentilmente me emprestou o aposento pra receber a ilustre visita de um casal de amigos que mora em Paris. Quando já estava no hall do elevador para devolvê-lo à recepção, tive que voltar ao quarto para me livrar de umas sacolas que carregava e acabei deixando-o sozinho por alguns minutos. Na volta, eis que Henry não estava mais lá! Corri todo o andar parando de porta em porta, ouvido ligado em busca do ronco do aspirador… nada! Desci com a esperança dele já ter sido devolvido à recepção… nada! E ainda tive que ouvir que a responsabilidade era minha, é propriedade do alojamento, bla, bla, bla, e que minha carteirinha não poderia ser devolvida!

Desde então, tenho perguntado sobre Henry pra todos os que encontro na esperança de que ele será devolvido espontaneamente, mas os guardas sempre respondem: “no news” (“nenhuma notícia”). O que fazer? Espalhar cartazes? Oferecer recompensa? Rezar pra São Longuinho?

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