Tão Longe Tão Perto


Bebida é pint, comida é pasto!

Pára tudo que eu atravessei os Alpes pra mudar o rumo dessa prosa e por os pratos na mesa.Ariel - TV Rádio Clube de Goiânia - Rede Tupi - 1964 6

Difficoltà: Media

Cottura: 15 min

Preparazione: 30 min

E os ingredientes?  Farinha de grão de bico, água, azeite e sal. Mas só isso? Vou arriscar! Não consigo esquecer daquela farinata, uma espécie de crepe bem fininho, que decolou do forno a lenha e aterrissou quentinha, crocante e saborosa na nossa mesa em Sestri, na Liguria, Itália. Dizem que ela foi inventada por soldados romanos que precisavam de um alimento simples, nutritivo e de preparo rápido. O “fast food” deles era assim: misturavam água com farinha de grão de bico e depois cozinhavam ao sol, usando o escudo como panela.

Dois mil anos depois, a panquequinha dourada coroou um final de semana especial, com direito a bienal de arte, praia (de pedrinha, mas com sol de 40 graus) e conversas filosóficas deliciosamente intermináveis com velhos e novos amigos, que agüentaram meu “italianês” pacientemente.

Me esforcei pra lembrar tudo o que minha indisciplina me permitiu aprender desde que meu pai iniciou um trabalho apaixonado de costurar os pedacinhos de uma história de família cujos personagens – oriundos das pequenas cidades de Badia Polesine e Breda di Piave,  no Veneto – povoavam nossos almoços, festas, Natais, viagens de carro…

Aprender o italiano era requisito básico nesse processo. Então, quando a gente era criança (vou entregar), ele estudava na frente pra depois dar aula pros quatro filhos, usando como base o Curso de Idiomas Globo.  Só percebi que nosso professor também não sabia falar italiano naquela época (hoje ele é fluente) porque quando não dava tempo de adiantar o ponto, ele “revisava” a lição anterior. Nessa toada, fizemos a “prima lezione” umas dez vezes, até decorar o diálogo da Senhora Fabris com  o marido que embarcava num trem: “Ecco il treno parte: arrivederci, adio, buon viaggio!”.

De lá pra cá, a história tem se mantido cada vez mais viva num roteiro narrado com a voz de locutor do Ariel, “lábios de mel”, como escreviam na parede as meninas do Colégio das Irmãs de Araguari (Ele trabalhou como radiojornalista e âncora de TV nos anos 60 em Araguari e Goiânia).

De alguma forma acho que a narrativa se renova nessa breve visita à Itália, embora ainda não tenha ido pra terra dos antepassados. Quero  voltar com calma, mas sem a pretensão de conseguir entender todas as contradições de um povo tão interessante que só não aprendeu ainda a fritar seu indigesto chefe de estado.

Por enquanto, me restrinjo às maravilhas daquele oásis gastronômico, que ajudou a salvar quem vem se alimentando de pint, comida gratuita do Hare Krishna e do que consigo produzir nas incontroláveis chapas elétricas do fogão do alojamento. Tá, prometo não chutar cachorro morto e não falar mal do tradicional fish and chips (peixe frito com batata), que se come com vinagre por aqui. Ops, falei.

PS: Sei que estou ignorando a reforma ortográfica, mas me comprometo a estudar pra seguir as novas regras no próximo texto.

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