Tão Longe Tão Perto


O sonho (não) acabou
25/05/2011, 18:39
Filed under: Brasil, O sonho (não) acabou | Tags: , ,

Pow! Estouraram as caixas de som. Paul! O besouro vivo entrou no palco com um terninho azul como o do rei Roberto, que ele logo tirou, mantendo um suspensório que parece não fazer sentido em ninguém além dele. Simples, com camisa branca e muita vitalidade. Hello helloooo. Na entrada da área, os amigos cruzaram olhares com a cumplicidade de três gerações. Atrás do outro gol, o sorriso branco exagerado do baterista-percussionista-vocal era pura simpatia. Cada frase ensaiada em português, dita com tanta naturalidade, parecia ter um efeito dilatador das veias, cortando o caminho até as artérias de quem tem o rock inscrito no código genético. E assim, o Engenhão foi transportado para um mundo de sonhos.

Um mundo da música visceral de qualidade técnica impecável, sem apelos pirotécnicos.

Um mundo em que o estádio de futebol é limpo, pacífico, organizado, aconchegante e seguro para eles e para elas.

Um mundo em que a estação Central do Brasil (para ver inglês) é toda sinalizada, policiada, com  equipes simpáticas e treinadas, com seus coletes “Posso Ajudar?”.

E a para a classe média da zona sul e do Brasil, a “Magical Mystery Tour” começou no trem especialmente disponível para o show, com vagões espaçosos, confortáveis, refrigerados e com música ambiente pra galera ir entrando no clima, enquanto viajava até o Engenho de Dentro em 15 breves minutinhos.

Mas na terça de manhã, os vagões especiais já não estavam mais lá. E o trabalhador da zona Norte encarou as latas de sardinha para ir e voltar do trabalho, sem qualquer vaga lembrança do sonho “geladinho” que experimentei em uma das noites musicais mais especiais da minha vida.

Para ver notícia sobre a volta dos trens à rotina, clique aqui.

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