Tão Longe Tão Perto


Lá na Índia
01/09/2010, 6:58
Filed under: Lá na Índia

Vi e senti tanta coisa lá na Índia que preciso escrever para não esquecer.

Amizades com a força curativa do gengibre, descobertas iluminadas como curcuma, solidão amarga como neem. Me vi muito, me vi forte, me vi frágil. Prestei muita atenção, mas mesmo assim deixei de conhecer tanto, talvez por pressa ou porque estava ocupada aprendendo, trabalhando ou falando bem alto para meu umbigo ouvir.

Hoje tive a impressão que materializei aqui como sempre estive. Não veio o nome do estado indiano onde os homens usam turbante e nunca fazem a barba. Precisei de 15 minutos pra lembrar…. Punjab! Um dos muitos lugares onde ainda não pisei, mas conheci por meio de pessoas que vem e vão e acabam passando por Bangalore para trabalhar por um tempo, como fiz.

Deixei de ver e sentir tanta coisa lá na Índia que preciso ler para depois esquecer. A química dos temperos, a textura das sedas, as invertidas da ioga, a simbologia das cores e a metáfora de tantas histórias. Me vejo aqui. Como sempre, como nunca.

Uma das coisas mais cansativas de ser estrangeira é o esforço necessário para se comunicar. Antenas ligadas para decifrar o que é dito num sotaque forte e rápido. Caderninho à mão para anotar nomes de gente, comida, lugares. Autotolerância para falar lentamente, assumindo um sotaque “exótico”, como descreveu uma colega de trabalho.

Aqui economizo palavras e posso ter pressa, mesmo sem saber exatamente para quê. Aqui não provenho nada. Sou provida numa generosidade infinita de quem me viu do avesso lá longe. E não preciso dizer nada, mas queria dizer obrigada.

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