Tão Longe Tão Perto


Histórias de paralelepípedo
18/08/2013, 14:08
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Imagem“Tu eres guapa”. A ousadia do rasta pra gringa que subia a ladeira do Pelô teve troco imediato: “No, no, tu eres lo mas hermoso”, revidou, sem prever o que viria, mas aberta para que aquele rabo de arraia mudasse o rumo da viagem e da vida dos dois. Pelo menos enquanto durasse o axé.

Ela tinha vindo da Espanha com a mãe, interessada em comprar terras no sul da Bahia para montar uma pousada quando se aposentasse. Ele tinha a manha da negociação desde menino. Criado no Pelourinho pré-revitalização, sua lábia convencia gringos e locais do Porto da Barra à Itapoã. O casamento foi inevitável. Ele se deixou levar até Maiorca, onde tirou de letra o trabalho com turismo. Depois de dois anos, veio de visita e o amor pelo surf na própria língua foi maior do que a vontade de voltar.

Foi aqui que conheceu todas as mulheres da sua vida, antes e depois da espanhola. Povoou o mundo com 5 filhos: dois no interior com a menina que tirou da pia do branco pra construir a vida junto com ele. Para eles, deixou tudo o que tinha. “Sente-se, senhor Edson”, disse o juiz na audiência. Preferiu não sentar na cadeira pomposa molhado de chuva, nem brigar. Ele começaria tudo de novo. As gêmeas com a uruguaia. E o primogênito com a amiga da mulher que mais amou. Ela aceitou a traição e ainda ficaram juntos por um tempo. Ele ajudava a mãe dela a vender feijão para os funcionários do aeroporto. A moça, no entanto, mudou-se para Brasília e entregou-se à bebida.

Falando nisso, acabou a cerveja. Tenho que ir. Se cuida! Nos vemos no Pelô.

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