Tão Longe Tão Perto


Dez do Dez do Dez
10/10/2010, 9:25
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Dá gosto virar a folhinha neste domingo: 10/10/10. Não dá pra ignorar data tão simétrica, binária, auspiciosa nem aqui nem na Índia. Senta que o botequim da numerologia está aberto!

A data é mesmo rara. Apenas 12 vezes a cada século coincide de três números gêmeos idênticos tornarem-se vizinhos no calendário. Hoje, cada um dos quadradinhos guarda a história do número 1, que resolveu se casar com o zero e, invés de sentir-se vazio morando com o nada, ficou cheio de si: virou dez, contendo nele a essência de todos os outros números.

Como todos querem ser especiais, o número de casamentos e cesáreas marcadas para hoje bateu recorde em todo o mundo. Os exotéricos dão as mãos em meditação por um importante alinhamento espiritual e planetário. Os ativistas desligam a televisão, os carros e as fábricas, em um movimento global pela redução das emissões de carbono. E os mais desconfiados se previnem para uma possível pane dos sistemas de informática.

A data parece repetitiva, mas é transformadora. Em entrevista à BBC Brasil (link para a matéria), Aparecida Liberato, da Associação Internacional de Numerologia explica que a soma dos números que formam o dia de hoje é 5, o que significaria revolução e progresso. Para ela, casamentos iniciados hoje estão fadados à instabilidade, mas o dia é muito propício para lançar movimentos que se propõem a provocar transformações.

Na minha historinha pessoal, o dia traz outro sinal de mudança. Abri o passaporte e vi que vence hoje meu visto de residência na Índia.  A partir de agora, se quiser voltar pra lá, tenho que pedir licença às autoridades. Mas tenho a impressão que a Índia vai continuar entrando sem bater na minha vida. É que ninguém passa incólume por uma imersão tão intensa em outra cultura. De vez em quando, sou abduzida por minutos para o lado de lá, ao ler um email da Sujata, que conta aliviada como está se adaptando à nova vida na casa dos sogros, que por sorte a tratam com carinho; ao receber notícias do Shariff, que começa a sentir um novo interesse pela noiva muçulmana de 18 anos, apresentada pelos pais há três meses; ao saber que Prasanna se recuperou bem do acidente que teve com a família naquele trânsito caótico; ao me pegar acendendo um incenso antes de iniciar o dia de trabalho, para horror de alguns colegas que não pediram para ninguém purificar o mesmo ar que eles respiram; ou me ver tentando decifrar o significado de um dia auspicioso como o de hoje.

Ainda sob o impacto dos abalos sísmicos que interromperam o trabalho na última sexta à tarde no D.F., vou aproveitar a data para inventar novos lugares para as coisas que saíram de prumo. Shanti Om.