Tão Longe Tão Perto


Debaixo D’água
22/10/2010, 7:51
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Tchibummm… shiiiiii… blu blu blu…. Ahhhh!

*1, 2 e 3

“Debaixo d’água tudo era mais bonito,
mais azul, mais colorido,
só faltava respirar. Mas tinha que respirar. Debaixo d’água se formando como um feto,
sereno, confortável, amado, completo, 
sem chão, sem teto, sem contato com o ar. Mas tinha que respirar. Todo dia…” (Arnaldo Antunes)

Para chegar até à cachoeira, 150 km rodados com tranquilidade no Possante 99. Do lado de dentro, 4 amigos se reencontraram. Do lado de fora, mais uma estrada que seguiam juntos, com a cumplicidade das coisas que se intensificam longe de casa. Do lado de dentro, renovavam as histórias daquele carro, já recheado de memórias de família e de um amor nascido ali mesmo, quando numa atitude de protesto pró-vegetarianismo, ela dominou o volante e acelerou em direção à parede de uma churrascaria. Do lado de fora, os personagens daquele amor acompanhavam o Possante no golzinho dela. Ela é equilíbrio e flexibilidade: corpo, cabeça e coração. Ele leva musicalidade e tempero pro pregão e pra vida dela. Do lado de dentro, tudo se confessou, quase não se falou de política. Do lado de fora, o cerrado renascia da paisagem queimada.

Debaixo d’agua tudo silenciou.

Anestesiados, voltaram pela estrada de chão. No mata-burro, 4 meninos cruzaram o seu caminho. Como malabaristas, se equilibravam na mesma bicicleta. A cena poderia ter sido na Índia, mas era aqui mesmo no Goiás. O maiorzinho alcançava o pedal. Dois menorzinhos se apertavam na garupa e um outro ainda conseguiu se arranjar sentado de lado, segurando o guidon. Eles já deviam saber que qualquer diferença de idade, tamanho ou experiência de vida desapareceria logo mais, no primeiro tchibum. Do lado de dentro, outros 4 amigos acharam graça, talvez se reconhecendo também como meninos na mesma bicicleta. E fotografaram a cena na memória, pra respirar com mais leveza durante a semana.

*1. Inspirada pela amiga Paula, escrevi sobre o ultimo fim de semana, sem dúvida, o melhor de 2010.

*2. Inspirada pelo amigo Daniel, sugiro uma música durante a leitura deste texto. A música é “Debaixo D’água” de Arnaldo Antunes, que tocou muitas e muitas vezes em 2001, ritmando as primeiras descobertas fora de casa, no apê que dividia com duas amigas. Para ouvir, clique aqui ou no nome do Arnaldo Antunes lá em cima.

*3. Obrigada ao casal Dea e Beto, ex-donos do Possante e protagonistas das suas histórias de amor.

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