Tão Longe Tão Perto


Segredos latinos
09/02/2011, 23:49
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“3 cucharaditas de canela, 300 gramos de ananá… Uau, esse bolo de cenoura é muito diferente da receita que roubei do caderno da minha mãe aos 12 anos. Que emoção, graças à caligrafia que a escola me fez treinar até a quinta série, em menos de uma semana de trabalho como garçonete no Pastry Bistrô (clique no link para ver o blog do café), em Buenos Aires, tive acesso a algumas das preciosas fórmulas mágicas da chef. Ela me pediu pra escrever ingredientes e “procedimientos” em cartelinhas, que depois plastifiquei para facilitar a vida do cozinheiro.

Hoje foi um dia friozinho atípico do verão. Choveu pela manhã e, por isso, minhas pernocas foram poupadas de subir e descer as escadas para levar o desayuno (café da manhã) às mesas do terraço, onde turistas e portenhos ficam por horas como lagartixas ao sol, regados a cortado (café com pingo de leite e espuma).

A cada dia acrescento um item à minha lista de tarefas. Meu plano secreto e ambicioso é chegar à cozinha, para um dia, quem sabe, aprender a pilotar aquela batedeira gigante em forma de turbina de avião. Foi lá que, hoje, testemunhei o nascimento de uma receita nova. Sob o olhar atento da chef Georgina, Max, o cozinheiro roqueiro, cabeludo e tatuado, cheio de piercings na boca, transformou farinha, água, sementes e castanha em uma massa integral macia e puxenta, que vai servir de base para as tortas de amanhã.

Foi por acaso que interrompi uma caminhada solitária num sábado de manhã para quebrar o jejum com as delícias perfumadas daquele café charmoso, já meio fora do buxixo de Palermo Soho. Na porta, um aviso: “Necesitamos camarera” (Precisamos de Garçonete). Respirei fundo e gastei o espanhol que aprendi no intensivão de um mês na Universidade de Buenos Aires (UBA) pra oferecer meus serviços, encarando o desafio como o nível 2 do curso na prática. Em troca: uma fonte de aprendizado, amizade, inspiração, pedacinhos do céu chamados de alfajor devorados ainda mornos (Havanna não tá com nada) e as gorjetas acumuladas em uma leiteira de louça antiga, que um dia serão compartilhadas com Tomás, o irmão da chef que me ensinou os malabarismos da bandeja, e a  pequena equipe formada por Max e Miguel, responsáveis por pias e caldeirões lá na cozinha.

Para ver as delícias preparadas na cozinha de Georgina Manghi, clique aqui.

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