Tão Longe Tão Perto


Tão Longe
04/12/2013, 7:16
Filed under: Longe

livros

Uma viagem que se preze deixa marcas. Nunca consegui me recuperar da temporada fora de casa. Tornou-se um vício a sensação de ser a estranha. Talvez esse motivo tenha se combinado às oportunidades ou à falta delas, para me manter longe. Em cinco anos, foram cinco cidades diferentes. Cinco oportunidades para me reinventar e perceber também o que nunca muda, independente do tempero, por mais forte que ele seja.

Quando penso que há algo errado, encontro outros viajantes. Gente que também deixou Brasília, voltou para casa e, de certa forma, continua seguindo viagem. Amigos que seguem atentos às mudanças, desafiam a cidade, se propõem a viver algo diferente, se frustram porque não conseguem, pensam em sair de novo, duvidam.

Há três meses, um desses encontros reuniu quatro velhos amigos na mesma cidade – Brasília. E o brinde se desdobrou na ideia de escrever livros sob o impacto dessa sensação de distância e estranhamento permanente, tão comum aos viajantes.

Longe virou um selo, que carimba quatro livretos produzidos de forma caseira e extremamente coletiva, com o apoio imprescindível dos amigos que vão e dos que permanecem.

Chéri à Paris – Daniel Cariello apresenta 48 crônicas selecionadas entre as quase 300 escritas nos 5 anos em que o autor viveu na capital francesa.

Anti-heróis e Aspirinas – Yury Hermuche faz um retrato nada otimista sobre o mundo contemporâneo e aponta as rachaduras na religião, na política, na publicidade e no cinema para encontrar o mecanismo que faz da realidade uma prisão.

A rua de todo mundo – Carol Nogueira ilustra e escreve um livro infantil, colorido pela diversidade de crianças de vários países.

Depois das monções – E eu resgato a mais forte da minha pequena coleção de viagens para expor rajadas e trovoadas causadas pelas diferenças culturais em uma temporada de nove meses na Índia.

Eles serão lançados juntos, no auspicioso dia 11/12/13, no foyer do Cine Brasília, às 19h, enquanto a telona exibe curta-metragens de cineastas locais que também possuem relação com os temas da noite.

Dia de Folga, de André Carvalheira, retrata um pedreiro fora do seu ambiente de trabalho. Dias de greve, de Adirley Queirós, mostra um grupo de metalúrgicos que descobre uma cidade que já não lhes pertence. Oficina Perdiz, de Marcelo Díaz, expõe a vida de um mecânico que transforma sua oficina em espaço cultural. O cego estrangeiro, de Marcius Barbieri, traz para a tela um sujeito que não vê nada e ouve muito. E a animação O lobisomem e o coronel, de Elvis K. Figueiredo, Ítalo Cajueiro, fala de uma aparição que muda a vida de uma cidade do interior.

Comidas e bebidas do Ernesto Cafés Especiais serão vendidas no local.

Espero você lá!

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