Tão Longe Tão Perto


Para (não) esquecer
16/12/2012, 21:08
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ImagemSamarth pode nascer a qualquer momento, inclusive enquanto escrevo este texto. Em sânscrito, seu nome significa “Aquele que pode”. É também um dos nomes de Lord Krishna. “Minha mãe escolheu, nós gostamos e a numerologia aprovou”. Sujatha fala com a certeza de quem já conferiu. O site Askastrologer contribui para a praticidade da consulta, mas confesso que minha familiaridade com a espiritualidade indiana começa a se embaralhar depois de dois anos e meio anos longe de Bangalore.

Com a chegada do Natal e a urgência do balanço pré-fim-de-mundo, minha cabeça se confunde com o que deve ser perseguido ou esquecido. O que um dia pareceu muito estranho agora entra pela janela do chat já sem precisar pedir licença. E me emociono por estar presente na vida da Sujatha um dia antes do nascimento do filho, já pronto para escapar do ventre que o sári mantém à mostra. Logo, espero receber fotos do bebê com os olhos maquiados e uma pintinha de kajal na bochecha. É o que fazem as mães indianas para espantar mau olhado e garantir proteção espiritual.

Por outro lado, a globalização não dá conta de tanta coisa assim. Ela não é suficiente para acelerar nenhum processo de adaptação, mesmo em Londres, um pedaço do mundo tido como desenvolvido, multicultural e tolerante com a diferença.

Cá pra nós, Brasília também anda estranha e parece não ter muita certeza do que quer esquecer ou lembrar. Aqui, deixo-me confundir sob a cumplicidade do menino azul, cuja imagem está pendurada na parede da casa do meu amigo ateu, onde moro.

Seja bem-vindo Samarth, que leva o nome do menino Krishna, cujo aniversário também é celebrado em 25 de dezembro. Outras semelhanças entre Jesus e Krishna estão neste site, um dos canais que ajudam a aproximar duas narrativas aparentemente tão distantes.