Tão Longe Tão Perto


Pequena revolução de domingo
26/02/2012, 23:56
Filed under: Pequena revolução de domingo

Quantos somos hoje?

Nós 6, 3 tias, 4 primos, a vizinha, a namorada, o marido e aquela amiga.

Mãe, por que você fez comida para 50 pessoas?!

Há mais de 20 anos, o domingão é assim:

Na mesa: uns 5 pratos deliciosos para atender aos gostos exigentes de um batalhão que mistura naturebas e carnívoros, sobremesa com receita do site da Ana Maria Braga,  vinho e som italianos sugeridos por meu pai. E quando tudo parece ter acabado: chegam pães de queijo, café e um docim.

Em volta da mesa: pitacos contundentes, diversos e divergentes em alto volume sobre política, dores, vida afetiva, tentativas de adivinhação sobre os ingredientes do dia, viagens, decisões do judiciário, doenças graves, o boi nelore, o Poço Verde, lembranças musicais, causos de Minas, e histórias de um tempo na casa da minha tia avó, onde elas cresceram em volta de uma mesa ainda com mais gente, com “uma mão no bife, outra na consciência”.

Minha geração não ousa brigar pela palavra, que nesta mesa é quase tão abundante e saborosa quanto a comida. A gente degusta cada minuto dessas seis, sete horas seguidas, que passam tão rápido que nem parece que amanhã já é segunda. A cozinheira-mamma-máquina não pára um minuto de sábado à tarde às 10 da noite de domingo, quando o último garfo limpo vai para a gaveta.

E quando tudo parecia ter sido e ser sempre assim, eis que uma pequena revolução traz um tempero novo pro domingo. Ele chegou como presente surpresa há menos de um ano. Ainda sem falar nem exigir muito além do básico, ele simplesmente existe. E faz todo mundo lembrar que também existe. E por existir, se transformar. E por se transformar, amar. Quem tá doente esquece a dor, artrose vira cambalhota, pressa pára para brincar, braveza faz piada de si mesma  e melancolia vira esperança. Bem-vindo, Gabriel!