Salve o skype , engenhoca criada pelo sueco Niklas Zennström, santo padroeiro dos viajantes, que nos permite chegar tão perto de quem está longe, sem pagar um centavo pro Bill Gates, nem ser rastreado pelo onipresente google. Agradecendo as bençãos concedidas pela tecnologia VoiP, é preciso reconhecer, entretanto, o insubstituível poder da aviação, que em menos de 12 horas me levou direto pra casa, pra sentir o que ainda não foi possível alcançar por meio eletrônico – o cheiro do pão de queijo, que nesses dez dias só parou de sair do forno quando o fogão estava ocupado com outras delícias, devoradas a mil “megabites” por segundo.
Desde pequena fico impressionada com a velocidade com que minha mãe prepara o pão de queijo. Minha madrinha também herdou esse gene. Antes mesmo do polvilho escaldado esfriar, uma das mãos segura firme a gamela enquanto a outra colore a massa de amarelo com ovos de galinha capira, em movimentos firmes, rápidos, até que uma avalanche de queijo curado trazido de Coromandel, ralado antecipadamente, invade a mistura. A receita oficial é a mesma – e não está escrita em lugar nenhum – mas há alguma variação nos procedimentos entre as duas que ainda não descobri. Difícil é decidir qual o melhor resultado.
Na minha casa, a mineiridade cala a pieguice da saudade e as panelas é que dão o recado carinhoso, num afago exagerado, maternal, intenso, mas tão leve e espontâneo que não há sinais de trabalho ou fadiga. Pra temperar a comida: sal, pimenta, noz moscada, comentários políticos, princípios feministas e muitos causos. Boa parte das histórias a beira do fogão está cifrada num caderno de receitas despedaçado e totalmente manchado que encontrei na última gaveta do armário da cozinha. Fórmulas de doces, salgados e até uma novena milagrosa estão registradas com a letra da mãe, da avó e de algumas vizinhas de outros tempos. As páginas mais desgastadas denunciam um seleto grupo das mais pedidas. Mas essa lista continua em aberto, num processo dinâmico que se renova a cada domingo. A poucas horas do portão de embarque, vou planejando uma maneira de conhecer novos temperos que pretendo apresentar via skype para contribuir para a reforma dessa relíquia culinária.
Se eu que passei menos de um mes pela Europa a base de todo tipo de comida que nao lembra o tempero da comidinha de nossa casa, vc entao… imagino sua satisfaçao ao “resaborear” essas delicias (fiquei com agua na boca)!
Bem, pelo visto vc conseguiu empacotar tudo em poucas horas para embarcar de volta ao Brasil. Mesmo depois de fazer sala para um casal de amigos que chegou tarde no pub. Vc nao existe Gabirela! Ainda insistiu que comessemos! rs
Beijos
Andre e Carol
Comentário por Andre e Carol — 05/10/2009 @ 21:52
Encontrar vcs é sempre divertido! Beijos e parabéns de novo pelo casório!!
Comentário por Gabriela Goulart Mora — 08/10/2009 @ 22:08
gabi. cada dia mais lirico. mais bonito. mais insightful! é sempre um prazer! quero te ver! me liga quando chegar! beijos
Comentário por Julieta — 06/10/2009 @ 10:56
Valeu, Julis! Saudade! Te ligo esta semana sem falta! Bjo grande.
Comentário por Gabriela Goulart Mora — 08/10/2009 @ 22:09
Vai embora não, comadre!
Posa aí – como dizem os goianos, primos dos mineiros.
Comentário por Janaína — 06/10/2009 @ 18:48
Vou, mas volto! Adorei ver vc e Marianinha serelepe. Tô lendo o livro, depois comento, tá? Muitos beijos.
Comentário por Gabriela Goulart Mora — 08/10/2009 @ 22:12