Tão Longe Tão Perto


Procura-se
06/05/2012, 15:40
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Quais os seus critérios para escolher com quem viver sob o mesmo teto? Tive que decidir os meus em duas semanas, desde que me cadastrei em um serviço online. Não, ainda não apelei para o casamento arranjado à indiana, mas  imagino que a estratégia não seja muito diferente do que faz o site Spareroom.co.uk, uma espécie de classificados online super eficiente em juntar a oferta de um quarto disponível por quem tem que rachar o aluguel com a demanda de um lar por uma pessoa recém-chegada em Londres.

Descrevo quem sou, dondeuvim, quanto posso gastar, qual o meu nível de exigência ou flexibilidade sobre um canto pra chamar de meu e, tcharam! A tecnologia resolve o resto. Pode parecer estranho pra quem prima pela privacidade, mas a solução parece ideal numa terra em que muita gente vem de tudo que é canto do mundo para passar uma temporada, ainda mais em período pré-Olimpíadas que deixa qualquer meio metro quadrado valendo os olhos da cara! Bom, mas isso quem é de Brasília entende bem.

As propostas dão conta da diversidade humana e imobiliária nesta terra. Os anúncios incluem sótãos, porões, 6 quartos fazendo fila no único banheiro de manhã, casinhas vitorianas recortadas em 10 mini-quitinetes de Itu ao contrário e carpetes colecionadores de gerações de ácaros advindos da Dinastia Tudor. As características pessoais também são extremamente sinceras e incluem um transgênero que se descreve como tendo o melhor dos dois sexos em busca de uma pessoa cabeça aberta para dividir seu apê até uma funcionária da noite mora em um único quarto-sala, mas como usa a cama e o banheiro no turno contrário ao da maioria das pessoas, se dispõe a alugar o cafofo pra quem trabalha de dia, no melhor estilo Chico Buarque “Eu sou funcionário, ela é dançarina”.

Eis que a tampa da minha panela estava me esperando bem pertinho do escritório. Minhas referências pra provar que sou gente boa e confiável não poderiam ter sido mais familiares, mas o novo senhorio não faz ideia que o british Bob Walker é meu amigo de infância, que a profissional internacional que me contratou para o novo trabalho fez as melhores festas de aniversário comigo por 6 anos seguidos e que o agente imobiliário que me alugou onde estou temporariamente é brasileiro, gente boa e amigo dos amigos. Enfim, ele está impressionado. E eu também estou de ter achado uma pessoa tão objetiva e organizada no meio desta babel. Se eu tiver metade da sorte que tive com Mr. Babu na Índia estou salva! Agora é hora de preparar o puja das boas vindas e me mudar na próxima quarta!



Pequena revolução de domingo
26/02/2012, 23:56
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Quantos somos hoje?

Nós 6, 3 tias, 4 primos, a vizinha, a namorada, o marido e aquela amiga.

Mãe, por que você fez comida para 50 pessoas?!

Há mais de 20 anos, o domingão é assim:

Na mesa: uns 5 pratos deliciosos para atender aos gostos exigentes de um batalhão que mistura naturebas e carnívoros, sobremesa com receita do site da Ana Maria Braga,  vinho e som italianos sugeridos por meu pai. E quando tudo parece ter acabado: chegam pães de queijo, café e um docim.

Em volta da mesa: pitacos contundentes, diversos e divergentes em alto volume sobre política, dores, vida afetiva, tentativas de adivinhação sobre os ingredientes do dia, viagens, decisões do judiciário, doenças graves, o boi nelore, o Poço Verde, lembranças musicais, causos de Minas, e histórias de um tempo na casa da minha tia avó, onde elas cresceram em volta de uma mesa ainda com mais gente, com “uma mão no bife, outra na consciência”.

Minha geração não ousa brigar pela palavra, que nesta mesa é quase tão abundante e saborosa quanto a comida. A gente degusta cada minuto dessas seis, sete horas seguidas, que passam tão rápido que nem parece que amanhã já é segunda. A cozinheira-mamma-máquina não pára um minuto de sábado à tarde às 10 da noite de domingo, quando o último garfo limpo vai para a gaveta.

E quando tudo parecia ter sido e ser sempre assim, eis que uma pequena revolução traz um tempero novo pro domingo. Ele chegou como presente surpresa há menos de um ano. Ainda sem falar nem exigir muito além do básico, ele simplesmente existe. E faz todo mundo lembrar que também existe. E por existir, se transformar. E por se transformar, amar. Quem tá doente esquece a dor, artrose vira cambalhota, pressa pára para brincar, braveza faz piada de si mesma  e melancolia vira esperança. Bem-vindo, Gabriel!



De 12 em 12
08/01/2012, 12:08
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Como os números passaram a ter outra importância depois de uma temporada na Índia, tentei esperar o décimo segundo dia do ano pra escrever sobre 2012. Sobre meu ano novo, assim, assumidamente egocêntrico. Com ansiedade, libero o texto alguns dias antes, nutrindo a esperança de conseguir agir assim também em relação às promessas profissionais.

Para a próxima temporada, uma dúzia de pensamentos vão e vêm na maré da consciência. Que tolice querer pegar todas as ondas. Sente-se na beira da praia e observe.

Aos 12 anos, antes da menarca, o feminino parecia não ter limites. Um ano depois, o corpo já precisava de cuidados pra entrar no mar.

Aos 24, que sede! O vento sopra aqui, ali, solto os cabos do barco, mas por medo ou prudência, nem vou tão longe da praia.

36, a “volta do fiel”: alguns nós feitos e desfeitos. Após curtas, mas intensas viagens em alto mar, mantenho o barco amarrado temporariamente. Liberdade ainda que tardia. Inicia-se mais um ciclo. Os procedimentos automatizados se apagaram e as águas trazem de volta aquela sensação dos 12 anos, que estranho.

Aos 48 voltaremos a conversar. Pode ser que o mundo acabe. Enquanto houver incerteza, está tudo bem.



Feliz Saturnália!
25/12/2011, 23:09
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-       Quando você acha que vou nascer?

-       Por que a pergunta, criaturinha?

-       Sensibilidade natalina, talvez. Me lembro do nascimento do bebê mais importante da história ocidental e me dá certa ansiedade pra vir logo ao mundo.

-       Que bobagem, bem antes disso, os romanos já cultuavam Saturno em uma festa pagã estilo vale tudo nesta mesma época do ano. Todo mundo curtia sem culpa, trocava presentes, pedindo ao sol pra ele se manter firme e forte e, assim, proteger as plantações no inverno.

-       Como se todo dia fosse sexta-feira?

-       É, só que por menos de dez dias.

-       Hmmmm, que nem no carnaval. Então vou tentar segurar a ansiedade até fevereiro, aí aumentam muito minhas chances de nascer.

-       Mas você quer mesmo nascer gente? Meio imperfeito demais, não? Por que não nasce amor?

-       Ah, isso morre logo.

-       Mas pode renascer, ué. Cê preferiria ser pedra?

-       Pode renascer… Que otimismo o seu!

-       Deve ser o espírito natalino.

-       Ahá, você acabou de falar que isso é só uma invenção da Igreja!

-       Pensa bem, tanto faz, de qualquer forma, é mais uma tentativa de controlar o incontrolável e gerenciar a esperança de ser feliz.

-       Tá, dá aqui um abraço. Te desejo que nasça muito feliz, sendo inteiro no seu estado de gente imperfeita, pedra dura, água mole ou amor inconstante.

-       Não me venha com ironias, a gente ainda nem existe!

-       Mas a gente pensa.

-       Xi… descartou Descartes…

-       Feliz Natal!

-       Feliz Saturnália!



Marginal brasileiro
04/12/2011, 21:08
Filed under: Marginal brasileiro

Sugestão: clique para ouvir Zé Keti

Não sei onde o Baiano mora, mas deu uma preocupação danada porque ele ficou mais de uma semana sem aparecer no estacionamento. Veio uma lembrança triste do Antônio, que acabou preso depois de protagonizar uma tragédia familiar daquelas de capa da imprensa marrom. Magrinho e gentil, ele abria a porta do carro e chamava a mulherada de linda ali num pedaço do que simula o centro de uma capital – a plataforma da rodoviária.

A versão contada no escritório é que o Baiano arruma uns bicos nas casas das pessoas de vez em quando. Ele já estava lá há dez, quinze anos, só que ao contrário de grande parte dos que estacionam ali, não vai se aposentar.

Não sei o nome do Baiano, mas ele me chama de Gabi, seguido de um sorrisão malandro, para o qual respondo perguntando: “bóra dar um banho no possante hoje”? Custa 15 reais por dentro e por fora. De manhã ele ensaboa uns dez carros e de tarde ele perde ou ganha mais que isso na jogatina com os porteiros e outros trabalhadores informais . Vi da janela do segundo andar.

Brasília tem uma vida ímpar embaixo dos blocos, um vai e vem de domésticas, babás, crianças e gente que vêm de longe. Alguns parecem ter saído de um filme surrealista:  o vendedor de espelhos que exibe molduras pro céu, o empurrador do carrinho de música com CDs originais e chineses, e adolescentes que, com a falta de praças, namoram ali no pasto verdinho das entrequadras nesse tempo de chuva.

Nem sei o dia do aniversário do Baiano, mas me iludo achando que sou amiga dele. Bem que ele me defendeu quando um baixinho invocado, funcionário do Banco do Brasil, saiu do carrão branco cuspindo grosserias porque eu não tinha olhado pelo retrovisor.

Trim. “Lava-jato móvel está aqui”, diz Nina, a recepcionista mais elegante de todos os tempos.

E lá vem ele, nos trinques, fim de mais um expediente, depois de se ajeitar no vestiário do edifício da W3.



11.11.11
11/11/2011, 5:43
Filed under: 11.11.11, Brasil

Foto involuntariamente cedida pelo autor (apropriada da internet)

Em Brasília, a data de hoje parece ter sido criada por Niemeyer. Concretos de pé, um anexo ao outro, como na esplanada. Números um em alerta, como dragões da independência posicionados em dupla, imóveis, num dia sem vento. A perfeição de um dominó que não cai. Pés fincados no chão, elegantemente dispostos em simetria, como se assim continuassem repetidamente até o infinito. Cabeça erguida e olhar para o alto, marchando segundo a rota definida, sem o incômodo de qualquer incerteza. Mas amanhã, toda a altivez será perturbada.



Meu tempo é hoje*
31/10/2011, 8:32
Filed under: Brasil

*título do filme documentário de Izabel Jaguaribe sobre Paulinho da Viola

Depois de um domingo de jazz com minha família de Londres, acordei no meio da madrugada fria, tomei um copo de coragem e um Alegra D, vesti as luvas cirúrgicas e finalmente abri a mala que o Igor já tinha feito a gentileza de tirar da garagem.

E então me encontrei comigo mesma. Mas não eu hoje. Eu antes da Índia, onde 9 meses talvez tenham sido 9 anos. Eu depois da Inglaterra, onde o mundo encolheu tão rápido, que não deu tempo de planejar o que viria depois, achando perfeitamente aceitável cair do outro lado do planeta como num xote desavisado – dois passinhos pra lá, dois pra cá.

Antes do ritual solitário que só tem importância pra mim mesma, passei dois dias sem conseguir tocar na mala, com receio não sei bem do quê. Talvez da cápsula do tempo revelar fragilidades que estavam estocadas no mofo. Ou quem sabe por prudência, para evitar que os fantasmas da saudade fugissem da caixa de pandora. Mas não haveria data melhor que hoje, Dia das Bruxas, para desafiar medinhos antigos com a leveza das crianças fantasiadas de monstro em busca de guloseimas.

Agora tenho a chance de separar o que vai ser descongelado do que já perdeu o prazo de validade por pertencer exclusivamente àquele tempo, tão próximo e ao mesmo tempo tão distante. Começo a selecionar o que será reaquecido, reutilizado, resignificado, saboreado com doçura, responsabilidade e uma dose de desapego. No melhor estilo “Quando eu penso no futuro, não esqueço o meu passado”, desfaço a mala no ritmo de Paulinho da Viola, em “Meu tempo é hoje”, excelente documentário de Izabel Jaguaribe lançado em 2003, mas que assisti ontem pela primeira vez.

Fala, Paulinho:

“Sempre falo que não sinto saudade. Para mim, vale o que está no presente. É difícil de traduzir, como se o passado fosse vivo em mim. Mas tudo que vivi faz parte de uma única vida, é uma coisa só. A saudade anula a vida e, quando digo isso, pode até ser uma certa pretensão. Mas veja bem: a perda de uma pessoa, o que você sente em relação à ela, é natural; mas não é isso de que eu estou falando. É outra coisa, aquilo dos momentos vividos, que você guarda como se tivesse que voltar exatamente como era, o saudosismo. Isso que não é bom e eu não carrego comigo”.



Sobre ir e voltar
19/07/2011, 0:47
Filed under: Sem categoria

Confesso que não consigo mais ouvir uma história de viagem impunemente. Por  mais longínquo que seja o destino do viajante, meu fôlego imaginário infla até alcançar a balsa que cruza o rio Mekong, as bicicletas de Hanói, o pé do Himalaia. E volto para lembrar que estou mais próxima de tanta riqueza cultural e ambiental aqui nos Lençóis Maranhenses, Peru, Cuba, México… E conto os anos que passei no mesmo lugar, o tempo que tenho versus o dinheiro que não tenho. E vem a importância de cada coisa: ter raiz, não se deixar enterrar. Essas viagens imaginárias não tem muito de turístico porque o que guardo de mais precioso não são souvenires, mas amigos, histórias de vida e laços que embaraçam e desembaraçam as pessoas, seus valores, suas culturas. Só que tudo tem um preço. E o de ser viajante talvez seja a distância que faz desaparecer aquele cotidiano comum, familiar, aconchegante, confortável, seguro. E pra alguém voar, alguém tem que ancorar. E ficar também pode ser uma opção de roteiro a seguir. Mas agora?



Institucionalizando a impermanência
06/07/2011, 21:59
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Hoje recebi o crachá eletrônico do trampo e nele está escrito “Provisório”. Agora este é o código para abrir as portas. Opa, vou aproveitar. Obrigada!

É curioso andar com isso no peito, como se exibisse a misteriosa interrogação do futuro, que faz parte da vida de todo mundo, em qualquer lugar. No meu caso, só reparei que podia ampliar o repertório de “quem sou eu” ao deixar de portar cartão de visita, crachá, carro com adesivo e, consequentemente, salário e uma agenda daquelas que a gente aproveita a capa e vai trocando o miolo a cada ano, sem grandes surpresas. Mas não foi isso que sempre quis?

Ao abrir mão da estabilidade do previsível, tudo pode acontecer. Mas até que ponto o leque de escolhas é assim tão vasto? As combinações começam a girar como naqueles jogos de jackpot. Plim! Estudante+Estrangeira+Dura. Sedutor, mas não é das alternativas mais sustentáveis. Plim! Profissional+Muito mais Estrangeira+Solitária. Dói um pouquinho a cada dia, é até suportável, mas seria pedir muito ter algum retorno no curto prazo? Plim! Filha+Amiga+Confusa. Hmmm, deixa essa passar logo! Plim! Enquanto giro a manivela do acaso, sem perder a esperança de encontrar a combinação perfeita, a vida acontece, sem se importar muito com o que está escrito no crachá. Já chegou? Sim, mas vai passar.



São Luís mais eu
23/06/2011, 17:01
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Às vésperas do São João, não tinha um lugar vago no vôo de Brasília para São Luís. Entre os passageiros, a média de idade era de 70 anos. Minha companheira de viagem estava nos trinques: ruguinhas cobertas de pó de arroz, cheiro de leite de rosas e a boca vermelhinha de batom, me contando como ela encara todas as doenças que já acometeram sua família, com preocupação especial com a irmã mais nova, hoje com 59 anos. Aos vinte e pouco ela esteve em Brasília protestando contra a ditadura e acabou levando uma porrada tão violenta na cabeça que a deixou com problemas mentais e neurológicos para o resto da vida.

Embaixo da poltrona, sacolas cheias de presente para quem não saiu do Nordeste rumo à capital. Lembrancinhas pra gente como o  Ribamar, pra Creuziane e pra Creidimes, que agora já sabe que na terceira gravidez vem uma menina, pra alegria da caçula de 3 anos, Gleice Kelly, um tiquim de gente com esse nome cheio de “eles”, adaptado da musa de Hollywood que virou princesa. Quando me conheceu, ela pediu a “bença”. E me deixou assim meio sem jeito porque confesso que eu estava despreparada pra lembrar que claro, sou mais velha que a mãe dela. Ali na Vila Maranhão, assim como na Índia, é raro viver até os 36 sem assumir a identidade de uma senhora com uma penca de meninos.

Em comum com o Senado em Brasília, as autoridades de lá têm o mesmo sobrenome há muitos anos. Isso ajuda a explicar boa parte dos contrastes de um lugar que ainda têm presente elementos da corte portuguesa e da escravidão. Viva o boi de todos os sotaques, o tambor de crioula, o chapéu com fita, o bordado colorido, a criatividade do povo! Mas para não fazer parte do cenário do Centro Histórico,  a meninada sem fantasia é levada para longe de onde flanam bandeirinhas coloridas entre os azulejos portugueses. E foi durante a apresentação de uma dança da corte lusitana, que um grupo de bombeiros, policiais e agentes do juizado apareceram para uma operação desafiadora: tirar da vista dos turistas um único menino que ignorou o festival e continuou explicitando sua existência de quem conhece cada paralelepípedo daquela cidade. Mais difícil do que convencê-lo a abandonar a festa para ser levado a um abrigo foi convencer o grupo dos supostos responsáveis por ele a deixar de lado as luvas que faziam o menino tremer e investir no argumento. Mas enquanto a estratégia adotada for de “limpeza urbana” e não uma abordagem de proteção e de direitos, que chega de mansinho e aos poucos  ganha a confiança de quem teve que se defender sozinho desde cedo, como fazem tantos educadores de rua Brasil a dentro, a festa vai ter um gosto mais azedo do que arroz de cuxá quando a vinagreira passa do ponto.  “Que São João te abençoe, querida”.




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